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Exemplo de matéria com vídeo
Aqui pode-se por um pequeno texto sobre a matéria. Nada muito grande, já que a intenção é que o vídeo seja a matéria.
Arquivado em Esportes radicais, Vídeos
“Esta Olimpíada é mais televisiva e de internet”, diz repórter
Dia 1º de agosto, Luiz Roberto Magalhães prepara-se para cobrir, pelo Correio Braziliense, seus primeiros Jogos Olímpicos
Redação, conversas, pautas, telefonemas, trânsito, reportagens: é sempre com uma variação desses ingredientes que Luiz Roberto Magalhães, repórter da editoria de esportes do jornal Correio Brasiliense, enche seu dia de trabalho. Luizinho, para a maioria das pessoas, Luiz Roberto Magalhães se formou no Centro Universitário de Brasília (UniCeub) em 1997, estagiou no Correio Braziliense e está há 10 anos na redação do jornal. Entre uma pauta e outra, o repórter falou sobre suas expectativas de cobrir, pela primeira vez, um evento como os Jogos Olímpicos de Pequim:
Projeto Pequim – Você já teve experiência anterior de cobertura de Jogos Olímpicos?
Luiz Roberto – Jogos Olímpicos, não. Eu cobri, em 1999, as olimpíadas universitárias (Universíade). Cobrir as olimpíadas universitárias foi mais tranqüilo, pois a visibilidade era menor, a cobrança era menor, os meios não divulgavam tanto, então foi um evento bem mais tranqüilo. Com certeza, bem diferente do que eu vou encontrar lá em Pequim.
Projeto Pequim – Como você está se preparando para cobrir os Jogos? Está fazendo algum curso de idioma?
Luiz Roberto – A minha preparação está sendo mais na parte de informação, pois a maioria dos atletas de Brasília eu conheço, já fiz matérias; muitos atletas eu já entrevistei, então nesta parte está mais tranqüilo. Neste momento não dá para fazer uma preparação de língua, como o mandarim. O essencial é já ter um idioma fluente, como o inglês, porque se não tiver o inglês você fica muito limitado à delegação brasileira. O inglês, especialmente, permite que os repórteres façam matérias especiais com os atletas de outras delegações, assim não se limitam a matérias que a maioria dos jornais vão fazer.
Projeto Pequim – Como você foi escolhido para ir a Pequim? Você se ofereceu?
Luiz Roberto – O jornal procura fazer uma espécie de rodízio de repórteres. O Cruz, por exemplo, já cobriu os Jogos de Seul (1988) e Sydney (2000., O Leonardo Meireles esteve em Atenas, em 2004, e agora eu estou indo. Então o jornal procura fazer esse rodízio.
Projeto Pequim – Que dia será o embarque?
Luiz Roberto – O embarque será dia 1°, via Paris. Chego lá na manhã do dia 3, horário local de lá.
Projeto Pequim – Você vai viajar com um repórter do Estado de Minas. Vocês já se encontraram para conversar?
Luiz Roberto – Os associados vão levar três repórteres, eu, pelo Correio; o Ivan Drummond, pelo Estado de Minas; e a Roberta Aureliano pelo Diário de Pernambuco. O que cada um fizer sai nos Associados e nos jornais de cada estado. Semana passada, eles estiveram aqui, para uma reunião com o diretor de redação, para definir o foco da cobertura.
Projeto Pequim – E qual será o foco da cobertura de vocês?
Luiz Roberto – O que acontece é que essa Olimpíada é mais televisiva e de internet, porque para jornal o fuso horário de 11 horas a mais dificulta bastante e publicação de matérias. A gente consegue no máximo publicar as competições que terminam pela manhã. Qualquer coisa que terminou pela tarde já é de madrugada aqui, então a gente não tem como mandar para o jornal, pois a edição já estará fechada para sair do dia seguinte. Nós vamos ter que antecipar as competições em vez de dar resultados.
O meu foco está mais em matérias especiais com atletas de Brasília, histórias de vida interessantes, histórias de torcedores, histórias humanas com atletas de outras delegações, matérias mais alternativas. Minha idéia é fugir um pouco do material que as agências vão publicar e que os outros jornais vão fazer, mas sempre matérias que têm a ver com esporte.
Projeto Pequim – Qual será o fator de maior tensão, ao qual você acha que será submetido nesta cobertura internacional?
Luiz Roberto – Em relação às matérias, acho que poucos, pois não está tendo uma cobrança do Correio no que diz respeito a furo de reportagem. O Correio está mandando um repórter, efetivamente, então não dá para ter uma cobrança tão grande para cobrir o evento. A tensão é mais no sentido de tentar fazer um trabalho bem feito em relação às matérias que vão sair pela manhã, fazer boas pautas, matérias interessantes e eu me cobro bastante em relação a isso.
Projeto Pequim – Mas que aspecto você acha que o deixará mais angustiado em Pequim? Saudade da família, comida diferente, fuso horário?
Luiz Roberto – O fuso horário é positivo, no meu caso, pois como vou cobrir a maioria das matérias que saem pela manhã eu vou ter bastante tempo para elaborar melhor a matéria, focar nas matérias especiais. O fuso horário talvez me deixe angustiado nos primeiros dias, somente. Comida também não é o meu problema; sei que a China está se preparando bastante para receber pessoas de outros países, investindo até em restaurantes de outras nacionalidades, mas se não tiver pelo menos tem o Mc Donald’s (risos). Em relação a família, esse pode ser o fator que me angustie, pois sentirei saudades.
Projeto Pequim – Você vai ficar para os Jogos Paraolímpicos?
Luiz Roberto – Não sei ainda. Se ficar, vou tentar fazer uma cobertura onde ocorreu o terremoto, mas ainda não tenho certeza.
Projeto Pequim – E em relação à censura? Isso o preocupa?
Luiz Roberto – Isso, sim, me preocupa. Mesmo com credencial, creio que será difícil fazer alguns tipos de matérias. Essa matéria mesmo, onde ocorreu o terremoto, não tenho certeza se o governo chinês vai me dar permissão para fazer. Semana passada, vi uma matéria na Rede Globo onde um repórter alemão estava fazendo uma matéria na Muralha da China e os guardas interromperam a matéria e falaram que ele não podia fazer matéria lá. Uma matéria da Muralha da China não é uma matéria que agrida o governo, mas a censura paga no pé da imprensa mesmo.
Projeto Pequim – Que dicas você daria para os estudantes de jornalismo estão indo para Pequim cobrir os Jogos Olímpicos?
Luiz Roberto – A primeira dica que eu daria em relação a profissão é investir em uma segunda língua, de preferência, o inglês. Na cobertura de um evento de grande porte se você não souber uma língua você está vendido. Ler sobre os costumes do lugar que você vai cobrir – eu descobri que na China eles não gostam da cor verde. Verde para eles significa traição. É importante ler bastante sobre o que vai cobrir. Se, por exemplo, você vai cobrir atletismo, é bom saber as regras, ler quem são os principais atletas, ler o que aconteceu no dia anterior. Informar-se bastante, é o ideal.
Projeto Pequim – O que você falaria para um estudante que quer trabalhar na editoria de esportes? E o que você acha do projeto Pequim?
Luiz Roberto – Eu diria que a editoria de esportes é muito gostosa de trabalhar, porque você lida com histórias humanas e isso é muito bom. Não é uma editoria em que se paga bem, existem editorias que pagam melhor, mas quem entra na editoria de esportes muito dificilmente sai dela. Para quem se interessa pela editoria de esportes, iniciativas como esse Projeto Pequim, dão uma oportunidade fantástica de se familiarizar com a editoria de esportes. Mesmo para quem não for viajar, ainda é uma experiência única. Estes estudantes vão estar muito a frente de outros estudantes de jornalismo e pode ter certeza que as portas se abrirão com mais facilidade.
(Luara Nunes)
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